Polícia Civil conclui inquérito e indicia prefeito de Pio IX por exploração sexual de crianças e adolescentes, ameaça e peculato

A Polícia Civil do Piauí concluiu o inquérito que investigava denúncias envolvendo o prefeito de Pio IX, Silas Noronha (PSD), e indiciou o gestor pelos crimes de favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de crianças e adolescentes, ameaça e peculato. A investigação foi conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e será encaminhada ao Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), que decidirá sobre os próximos desdobramentos do caso.
Além do prefeito, também foram indiciados Francisco Liedson e Samuel Noronha, apontados pela investigação como envolvidos nos fatos apurados.
O indiciamento representa o encerramento da fase de investigação policial. Agora, caberá ao Ministério Público analisar o inquérito e decidir se oferece denúncia à Justiça, solicita novas diligências ou requer o arquivamento do procedimento.
Investigação teve início após denúncias de ex-funcionário
O caso ganhou repercussão após denúncias apresentadas por Francisco Liedson, ex-funcionário da Prefeitura de Pio IX. Segundo ele, foi contratado pela administração municipal para aliciar adolescentes com o objetivo de organizar encontros envolvendo o prefeito.
De acordo com o depoimento prestado durante a investigação, Liedson afirmou que trabalhou na campanha de reeleição de Silas Noronha em 2024 e, após o pleito, recebeu a promessa de um cargo na prefeitura. Conforme relatou, passou a receber um salário mínimo, além de um auxílio de R$ 500 que já recebia do município.
Ainda segundo suas declarações, a função exercida consistia em aliciar adolescentes para encontros com o prefeito. O ex-servidor também afirmou que ele e Samuel Noronha teriam recrutado adolescentes de 13 e 14 anos.
As acusações ganharam maior repercussão após Francisco Liedson divulgar vídeos nas redes sociais, nos quais afirmou que recebia dinheiro para organizar os encontros e aliciar adolescentes. As declarações motivaram a instauração do inquérito policial conduzido pela DPCA.
Prisões temporárias marcaram a investigação
Durante o andamento das investigações, em abril deste ano, a Justiça autorizou a prisão temporária de Silas Noronha e Samuel Noronha.
Posteriormente, ambos obtiveram liberdade por decisão judicial e passaram a responder ao processo em liberdade.
Mesmo após deixar a prisão, Silas Noronha retornou ao exercício do cargo de prefeito de Pio IX, permanecendo, contudo, submetido às medidas cautelares determinadas pela Justiça, entre elas a proibição de manter contato com testemunhas ligadas à investigação.
Caso provocou repercussão na administração municipal
A investigação também teve reflexos na estrutura administrativa da Prefeitura de Pio IX.
Em maio, o então secretário municipal de Agricultura, Márcio Tércio Alencar, pediu exoneração do cargo. Segundo informou à época, a decisão foi tomada após descobrir que uma familiar estaria entre as vítimas mencionadas durante a investigação.
A saída do secretário aumentou a repercussão do caso no município e intensificou o debate em torno das denúncias que passaram a ser apuradas pela Polícia Civil.
Próximos passos
Com a conclusão do inquérito e o indiciamento dos investigados, toda a documentação será encaminhada ao Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI).
A partir da análise das provas reunidas pela Polícia Civil, o órgão poderá:
- oferecer denúncia à Justiça, dando início à ação penal;
- requisitar novas diligências para complementar a investigação;
- ou solicitar o arquivamento do inquérito, caso entenda não haver elementos suficientes para o prosseguimento do caso.
A expectativa é de que o Ministério Público se manifeste sobre o procedimento nos próximos dias.
Cronologia do caso
- 2024: Francisco Liedson afirma ter trabalhado na campanha de reeleição de Silas Noronha e recebido promessa de emprego na prefeitura.
- Após a eleição: segundo seu depoimento, foi contratado pela administração municipal e teria recebido salário para aliciar adolescentes.
- Posteriormente: Liedson publica vídeos nas redes sociais denunciando o suposto esquema, dando origem à investigação.
- Abril de 2026: Silas Noronha e Samuel Noronha são presos temporariamente e, posteriormente, obtêm liberdade por decisão judicial.
- Maio de 2026: o secretário municipal de Agricultura, Márcio Tércio Alencar, pede exoneração após afirmar que uma familiar estaria entre as vítimas mencionadas na investigação.
- Julho de 2026: a Polícia Civil conclui o inquérito e indicia Silas Noronha, Francisco Liedson e Samuel Noronha. O procedimento segue agora para análise do Ministério Público do Estado do Piauí.
O indiciamento encerra a fase de investigação policial, mas não representa condenação. A definição sobre eventual responsabilização criminal dependerá das próximas etapas do processo, que passam pela análise do Ministério Público e, caso haja denúncia aceita pela Justiça, pelo julgamento do mérito da ação penal.



