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Felca expõe casos chocantes de adultização infantil e mobiliza redes sociais contra exploração de menores
Por Redação | 09 de agosto de 2025
O humorista e youtuber Felipe Bressanim Pereira, mais conhecido como Felca, surpreendeu seus mais de 7 milhões de seguidores ao publicar, no último dia 6 de agosto, o vídeo “Adultização”, que já ultrapassa 13 milhões de visualizações e está no centro de um debate nacional sobre a exposição precoce e sexualização de crianças nas redes sociais.
No vídeo, de mais de 40 minutos, Felca abandona o tom cômico que o consagrou e assume uma postura investigativa, reunindo denúncias, imagens e trechos de conteúdos que, segundo ele, caracterizam exploração infantil. O youtuber alerta que, por trás de vídeos aparentemente “inocentes” e “divertidos”, há comportamentos e contextos que colocam em risco o bem-estar emocional, psicológico e físico de menores.
Principais denúncias
O caso mais citado por Felca envolve o influenciador Hytalo Santos, que costumava incluir menores de idade em seus vídeos — entre eles, a adolescente Kamyla, hoje com 17 anos. O youtuber exibe cenas em que ambos aparecem deitados sob a mesma coberta e trocando gestos interpretados como sugestivos, o que, para ele, representa um grave desrespeito aos limites da infância.
Felca também relembra outros episódios que marcaram a discussão sobre adultização infantil no Brasil:
•“Bel Para Meninas” – canal no YouTube acusado de expor a vida privada de uma criança de forma sensacionalista, incluindo momentos íntimos.
•Caroliny Dreher – caso em que conteúdos com conotação sexual, protagonizados por uma menor, foram monetizados pela própria família.
Em sua investigação, o youtuber aponta ainda para a atuação de redes de pedófilos que se aproveitam de conteúdos desse tipo para consumo e compartilhamento em ambientes virtuais.
Repercussão imediata
A publicação provocou uma onda de reações. Perfis de Hytalo Santos e de Kamyla foram desativados horas após a viralização do vídeo. Parlamentares como Erika Hilton (PSOL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG) usaram suas redes para cobrar investigações por parte do Ministério Público e responsabilização das plataformas digitais.
Usuários comuns também se mobilizaram, compartilhando o vídeo de Felca, denunciando perfis suspeitos e reforçando a importância de supervisionar a presença de crianças e adolescentes na internet.
Debate sobre legislação e proteção infantil
O vídeo reacendeu a discussão sobre a aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no ambiente digital. O ECA garante proteção integral aos menores e prevê punições para quem expõe crianças a situações de risco físico ou psicológico. Especialistas lembram que a exposição excessiva de crianças nas redes pode provocar danos duradouros, incluindo:
•Perda da privacidade;
•Comprometimento da autoestima;
•Hipersexualização precoce;
•Facilitação do contato com predadores sexuais.
O psicólogo infantil Rafael Moreira, ouvido por nossa reportagem, afirma que “a internet amplia o alcance e a velocidade da exposição, e muitas vezes os responsáveis não percebem que estão colaborando para um mercado de exploração disfarçado de entretenimento”.
De humorista a denunciante
Conhecido por vídeos de humor como “testei a base da Virgínia” e críticas bem-humoradas às tendências da internet, Felca surpreendeu ao se posicionar de forma séria e engajada. “Eu não poderia fingir que não vi. Isso é errado e perigoso”, afirmou ele no encerramento do vídeo.
A mudança de tom mostrou que influenciadores digitais também podem atuar como agentes de denúncia e mobilização social, especialmente quando têm grande alcance e credibilidade junto ao público jovem.
VEJA VÍDEO:
Conclusão
O impacto do vídeo “Adultização” comprova que a discussão sobre a presença de menores na internet não é apenas uma pauta de nicho: trata-se de uma questão de saúde pública e de direitos humanos. A mobilização gerada nas redes indica que parte da sociedade está disposta a cobrar mudanças e responsabilizações — mas especialistas alertam que o desafio é grande, pois envolve não apenas criadores de conteúdo, mas também familiares, plataformas digitais e autoridades.
Como disse Felca no encerramento: “A internet não é lugar para criança sozinha. E nem para quem quer usar criança para ganhar curtida.”
Com informamações do youtube, Jovem Pan, e Wikipédia.