Lula afirma que não quer votos de homens que agridem mulheres e reforça compromisso com combate à violência de gênero durante convenção nacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (2), durante a convenção nacional que oficializou sua candidatura à reeleição, que não deseja receber o apoio eleitoral de homens que praticam violência contra mulheres. Em um dos momentos mais marcantes do evento, o petista defendeu uma sociedade baseada no respeito e disse estar disposto a perder votos para manter essa posição.
Ao abordar o tema da violência de gênero, Lula fez uma declaração contundente ao público presente:
“O cara vai ter que escolher, ou ele vota em mim, ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim. Pega a sua mão e vota em quem você quiser. Eu quero criar uma sociedade de respeito.”
A fala foi interpretada como um reforço do compromisso do presidente com políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres e ocorreu em meio à estratégia de fortalecer o diálogo com o eleitorado feminino, segmento em que Lula aparece com vantagem nas pesquisas de intenção de voto.
Crítica à ausência de mulheres na convenção
Antes mesmo de iniciar seu discurso oficial, Lula interrompeu o protocolo da convenção para criticar a ausência de mulheres entre os primeiros oradores do evento. O presidente destacou que a representatividade feminina deveria estar presente em um dos principais atos políticos da campanha.
“Eu quero fazer uma crítica. Porque não é possível que a gente tenha esquecido, no principal evento da nossa campanha, de colocar uma mulher para falar”, declarou.
Após a observação, Lula convidou a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, para subir ao palco e discursar em nome das mulheres que participam do Pacto Contra o Feminicídio.
Janja destaca protagonismo das mulheres
Durante sua participação, Janja ressaltou a importância da mobilização feminina na campanha eleitoral e afirmou que as mulheres terão papel decisivo na disputa presidencial.
“Somos nós, mulheres, que vamos eleger você novamente”, afirmou a primeira-dama, dirigindo-se ao presidente.
O pronunciamento reforçou a estratégia da campanha de ampliar o diálogo com o eleitorado feminino e evidenciar pautas relacionadas aos direitos das mulheres e ao combate ao feminicídio.
Sétima disputa presidencial
A eleição de 2026 marca a sétima candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República desde a redemocratização do Brasil. Ao longo de sua trajetória eleitoral, o petista venceu as eleições presidenciais de 2002, 2006 e 2022, além de ter sido derrotado nas disputas de 1989, 1994 e 1998.
Com a oficialização da candidatura, Lula inicia mais uma campanha presidencial tendo entre os principais eixos do discurso a defesa da democracia, das políticas sociais e do enfrentamento à violência contra as mulheres, tema que ganhou destaque durante a convenção nacional realizada neste domingo.



